quarta-feira, 12 de Novembro de 2014

Bikepacking por Montejunto - 1 e 2 Novembro 2014

Já estava com "sarna" de casa, tinha que ir para o mato ;). Queria ir explorar uns trilhos que tenho no Montejunto em estilo bikepacking

Vários amigos tinham manifestado a vontade de irem comigo e experimentar uma noite no mato em stealth mode (pernoita selvagem). 

Juntei as vontades e lá fomos. Após várias combinações lá acabámos por ser apenas 3 (o número mágico). O B levava a sua xtracycle btt e o G a sua trekking com alforges. Eu, que já vinha a preparar a trekking para estas lides, não a deixei de a levar...conjunto engraçado de biclas para bikepacking! 
Mas o que conta é mais a vontade do que o material e por isso seguimos!

A ideia era irmos ter a Torres Vedras onde o B nos esperava. Combinei com o G em Mira-Sintra. 

Saí de casa às 8h15. Fui verificar o ar nos pneus à bomba e às 8h20m estava a caminho. A primeira molha apanhei na serra de Carnaxide. Chegado à Amadora já estava seco. Siga que para a frente é caminho. Passei pelos fofos de Belas sempre a abrir para não parar ;) e apanho a segunda molha perto do quartel da Carregueira. Chegado à estação de Mira-Sintra, 16Kms e 45min depois, encontro-me com o G. 


Zona saloia, à saída de Belas

O comboio da linha do Oeste...




Verificámos que o magnífico comboio que nos transportaria pela linha do Oeste era de apenas uma carruagem/máquina. É decepcionante a "sangria" que andam a fazer ao nosso transporte ferroviário. Para além de nós, apanhámos um grupo de escoteiros da Ajuda que iam pedalar para a zona da Foz do Arelho, acampar e pescar. Fez-me lembrar as minhas viagens com a minha equipa em tempos idos. Tanto pelas biclas, como pelo material que é levado às costas (aprendem da pior maneira), mas mais pelo espírito de Insha'Allah que transbordavam e  que ainda me acompanha! ;)

Escusado será dizer que foi extremamente difícil colocar tanta bicicleta naquela carruagem. Valeu a boa vontade do revisor e maquinista, mas nestas coisas estamos sempre com um pé na Europa e outro em África: nem temos todas as condições, nem temos um total à vontade para amontoar e sigapabingo...é sempre à base da (difícil) negociação. 

Menos de uma hora de excelentes paisagens depois estamos em Torres e somos surpreendidos pela família do B. Fomos levantar dinheiro e seguimos logo para um trilho que o B nos tinha para presentear. 

Entrar no trilho à beira do Sizandro

Seguia o Sizandro e tinhamos companhia de vários atletas que faziam um ultra-trail naquele sábado. Não tarda estávamos a passar pelo complexo termal dos Cucos, local lindíssimo entre o abandonado e o "algo estimado", que em conjunto com as cores outonais lhe davam uma aura mística. Continuámos por trilhos rolantes entre fornos de cal e antigos moinhos de água, por terras de Matacães (aparentemente os cães eram os Franceses no tempo das invasões Napoleónicas). Por lá, encontrei um amigo dos Nomad's que andava a fotografar o dito ultra-trail, e o já antigo lema "Bons amigos por maus trilhos" está forte e de boa saúde! ;)


Edifício principal do complexo termal

Os trilhos acabaram a certa altura e fizémos uns Kms de estrada para avançar. Comprámos pão (daquele bom, denso), fiambre e queijo (embalado e não fatiado na hora!) pelo caminho e procurávamos um local que nos vendesse uma sopa quentinha. Coisa cada vez mais difícil, assim como encontrar bicas de água ou indicações de trânsito que não incluam variantes ou vias rápidas ;o).


Trilhos

 E mais Trilhos

Optámos então por "picnicar" num vinhedo e beber um café bem antes da subida aos míticos 666m da serra de Montejunto!

A pensar no jantar andámos também à procura de uma mercearia ou talho aberto, mas já tinha tudo entrado em modo "fechado para almoço". À medida que subíamos, mais nos afastávamos de povoações e a probabilidade de encontrar alguma aberta diminuía. Eu já olhava para os pomares e para as hortas visíveis da estrada e pensava em fazer um pequeno raid a couves e peras! ;)

A última aldeia antes da mega-subida estava em festa. O centro estava engalanado, o palco estava montado e estava tudo bem vestido! 
O G decidiu lançar o isco e perguntar se havia algum sítio onde pudesse comprar fruta ou um litro de leite. Era dia de festa e por isso estava tudo fechado, mas levaram-nos a casa de uma senhora que tem um armazém de fruta. Não perdemos nada em tentar, pensámos. A senhora lamentava pois não ia abrir o armazém, mas quando viu que éramos 3 e de bicicleta foi buscar fruta que tinha por casa e ofereceu-nos. A bondade de estranhos em viagem continua intacta e mesmo pedindo para pagar o leite que nos cedia fomos brindados com um "era o que mais faltava". 

Bondade de estranhos


Um bom élan para "atacarmos" a subida!


A subida


Vista de cima para baixo

Subida é favor...estradas terciárias, se bem que alcatroadas com inclinações de 13% em alguns locais. A minha trekking não tem tanta desmultiplicação como a BTT e isso notou-se. O B, com a xtracycle estava bem pior que nós, mas não tarda estávamos perto dos moinhos da serra. A vista valia bem a pena! 

Parámos perto de uma casa abrigo para fazermos uma cache. Ao arrancarmos, o B reparou que um barulho estranho vindo do selim era o resultado de uma rachadela no espigão, mesmo no local onde se prende o rail do Brooks. Ainda testou a possibilidade de ir sentado no assento do xtracycle, mas para além do estilo "chopper" e de saber que tinha uma alternativa caso ficasse sem selim, não lhe dava grande jeito! 
Se falhar, tenho alternativa!!!

Lá seguimos a subir por estrada (uma ciclovia imensa) ao som do "eye of the tiger"!! 
Vista

As vistas, o tapete de alcatrão, o tempo fantástico, o ar puro, a ausência de carros...isto tudo junto compunha um excelente postal de cicloturismo! E tudo a 60kms de Lisboa. 

"Ciclovia" do Montejunto ;)

Chegámos ao parque de merendas do parque natural de Montejunto com menos de 35Kms nas bicicletas. Visitámos o centro de interpretação do Parque natural e fomos até ao bar da serra para beber um café. Ficámos agradados com o ambiente do bar e o G pede uma tosta pois a subida deu-lhe fome. Entretanto estávamos a combinar como seria a pernoita:

A ideia é montar campo após jantar para não fazer fogo na floresta. Escolhermos um local recôndito, de preferência sem muito vento, sem muitos buracos ou pedras e recolhermo-nos em silêncio. Deitar cedo pois fica escuro cedo. De manhã cedo é acordar com o nascer do sol e lançarmo-nos ao trilho para tomarmos o pequeno-almoço.


Parque de merendas e bar da serra

Com um Wheel bender de madeira...catita

Bem dito, melhor feito, mas não sem antes eu e o B pedir-mos também uma mega-tosta de 3€ e uma imperial para ficarmos jantados. 


O parque de merendas

A tosta (ainda há a "XL")

Antes que fuja


Depois de mais ou menos meia hora encontrámos um sítio entre pinheiros, protegido do vento, com bastante erva seca ideal para o conforto e longe da vista. Montámos tenda e deitámo-nos. 

Ás 19h! ehhe

Deitar cedo, como em qualquer pernoita no mato, e depois contar mentiras até adormecermos. 


A quantidade de erva escondeu-nos um grande alto, mas de qualquer forma dormimos confortáveis.


Esta vai para a "View from the tent"

Completamente stealth

De volta ao parque de merendas

Voltámos ao parque de merendas para tomar o pequeno almoço. Cereais, leite, fruta, pão, café quente, nada faltou. Seguimos caminho, desta vez até ao cimo, perto das antenas. Esta fresco, mas excelente para Novembro em Montejunto. Perto das antenas cruzámo-nos com um grupo de "drifters" que traziam os seus triciclos numa carrinha e depois desciam a alta velocidade. 

Depois de vermos as vistas descemos e como não queria vir a Montejunto e não fazer trilhos propus um atalho. Lá atalhámos logo depois de 100m de alcatrão. Pusémo-nos num trilho de cabras, sempre a descer até aos moinhos da serra.

Não tardou em ouvirmos uma ambulância (terão sido os drifters??) e o G. que tinha acusado o frio matinal já estava cheio de calor. A verdade é que o trilho tem muita rocha, como é apanágio de Montejunto e é muito castigador para bicicletas com roda mais fina e pneu menos grosso. De qualquer forma, para frente é que era caminho e aproveitámos para irmos tirando as fotos mais espectaculares de toda a viagem.

Os drifters

As torres

A vista

O começo do trilho

A vista no trilho








 Era assim que nos sentíamos ao acabar o trilho

O Gps do B. ainda caíu no trilho, mas voltámos atrás à procura e apareceu (UFF). Chegados ao alcatrão, perto dos moinhos aproveitámos para nos vingarmos da subida do dia anterior...era sempre a abrir (haviam de ver a cara de intrigados por nos verem a descer cheios de carga e a xtra a ultrapassar ciclistas em subida ahaha).

Despedimo-nos num cruzamento pois o B ainda ia almoçar com a família em Torres Vedras (fez um S24O). Eu e o G seguímos em direção a Lisboa. Víamos Montejunto de longe, vista igualmente brutal. Seguimos maioritariamente pela N115. Merceana, Sobral de Monte Agraço, Bucelas, Sto Antão do Tojal onde nos separámos. O G seguiu via trilhos pela Trancão até ao parque das nações e eu segui via Loures, Odivelas (ainda pensei ir até A-da-Beja, Belas, Lav) onde virei para Lisboa pela calçada de Carriche, Lumiar, Benfica, Brandoa, Alfragide, Carnaxide e por fim Linda-a-Velha. Cerca de 70kms sempre rolantes e extremamente agradáveis (até Loures :( )  

A vista de Montejunto ao longe

Ciclovias descomunais ;)


Almoçámos em Merceana

Já no Lumiar


Os percursos sobre o Modelo digital de terreno com um drape de imagens de satélite:

No Montejunto, vermelho a subir no primeiro dia e a amarelo o segundo dia.

Noutra perspectiva.


O percurso inteiro (vermelho dia 1 e amarelo dia 2, sem o percurso do comboio)

terça-feira, 4 de Novembro de 2014

Bikepacking no Montejunto...Setup!

Eis o meu setup para o fds em bikepacking no Montejunto de Novembro 2014:

A bicicleta, uma Rocky Mountain whistle 70 é uma trekking, ou seja uma híbrida entre BTT e estrada, útil para viagens e percursos diários (commuting). Tem rodas 700c e pneus de estrada, mas coloquei-lhe as rodas da minha BTT para fazer esta volta. Com racks dianteiro e traseiro, guarda-lamas, ferramentas, pedais largos, espelho, etc. pesa 17Kgs. (na balança da wc).

A híbrida...
rola bem na estrada para nos levar onde queremos e depois não recusa um trilho!


No saco estanque traseiro (preto), que pesava 3,5Kgs levo:



- saco-cama
- matelá (base isoladora)
- múmia de algodão
- corta-vento
- roupa (meias, gorro, luvas, calças e camisola térmica)






No saco water-resistant azul que ia no rack dianteiro, pesando 2,5Kgs ia:



- Um poncho (para abrigo)
- O meu Ikea Hobo Stove (inclui fogão alcool, fonte de fogo, talheres, esfregão e corta-vento)
- Garrafa com alcool
- Panela 500ml 
- Temperos, chá, café
- Cafeteira 



No plano original ia a tenda e apenas o Ikea Hobo Stove, mas acabei por levar material para cozinhar para 3 pessoas e a tenda leva outro. 

No meio do quadro coloquei o framebag que fiz, onde levava comida:




- pacote de bolachas
- noodles
- fruta
- aveia e frutos secos





E nas costas levava a mochila s.o.s. com 2 kgs de:






- faca de mato
- canivete
- Fita americana
- rolo paracord ou sisal
- kit primeiros-socorros 
- kit costura
- ferramentas maiores q não caibam na bolsa das ferramentas
- pilhas extra
- toalhitas/papel higiénico
- frontal
- 2º isqueiro 
- cintas
- porta-água
- casaco

No guiador levava:




- conta kms
- GPS (Garmin Dakota 20)
- mapa de estradas
- bateria (solar)



SIGA!!!